Dagmara Spautz, Jornal de Santa Catarina
Se o desempenho do Marcílio Dias em campo deixa a desejar, do lado de fora dos gramados o lanterna do Catarinense 2012 conta com um reforço que não é para qualquer um. A cada partida disputada em casa, uma multidão de crianças com a camisa do Marinheiro faz uma festa digna de gente grande. E nem mesmo a falta de vitórias é capaz de apagar nos pequenos o amor pelo Marcílio.
A criançada faz parte da Torcida Organizada Mirim do Marinheiro, a TOM. Criado em 2010, o grupo é o único no Estado a reunir torcedores mirins em torno de um time de futebol. Grito de guerra, camiseta exclusiva e a companhia de personagens como o Cilinho, primeiro mascote do Marcílio Dias, e o Marinheiro Popeye – personagem dos desenhos que chegou em 2012 para uma temporada no clube itajaiense – fazem da torcida uma atração à parte.Antes de cada jogo, a TOM entra em campo com os jogadores para saudar a torcida com balões e bandeiras com as cores do Marinheiro. Enquanto a bola rola, já na arquibancada, os pequenos não economizam na voz e na batucada para mostrar a que vieram – nem mesmo os resultados ruins do time conseguem amornar a animação.
Embora não tenha um número fixo de participantes, a TOM chega a reunir 70 crianças em alguns jogos. Para ganhar mais adeptos, a turminha convida os pequenos que chegam ao estádio Hercílio Luz com os pais. Para participar, basta ter vontade e amor pelo time. No fim das contas, o que vale para os torcedores mirins do Marcílio Dias é fazer do futebol uma diversão saudável e despida de violência. Os pequenos torcem, não xingam. E até aplaudem o adversário, quando merecido.
– Nós seguimos uma ideologia: temos adversários, não inimigos em campo – diz João Vítor Bonanoni, presidente da torcida mirim e diretor-mirim do Marinheiro.
Paixão que se aprende em casa
A paixão do garoto João Vítor Bonanoni – presidente da Torcida Organizada Mirim do Marcílio Dias – pelo Marinheiro foi incentivada pelo avô Alberto Wronsky, blumenauense e torcedor roxo do Blumenau Esporte Clube, o BEC. Morando em Itajaí e órfão do time de coração, extinto em 2004, Alberto aceitou um convite para acompanhar uma partida do Marinheiro. Foi amor à primeira jogada:
– Comecei a ir aos jogos com o meu avô e entrava em campo com o Wilian, que era goleiro e filho de um funcionário dele. A partir daí, sempre entrei com o goleiro – conta João Vítor.
Foi assim que, em 2007, conheceu o goleiro Marcelo Vacaria, que morreu em um acidente de carro em fevereiro de 2008. Dele, João Vítor guarda uma camisa autografada, que Vacaria usou para levar o Marinheiro ao título da Recopa Sul-Brasileira.
A morte prematura do goleiro só fez aumentar a identificação de João Vítor com o Marcílio Dias:
– Tenho muita fé no Marcílio Dias, vou sempre ser marcilista.
| SAIBA MAIS |
| A Torcida Organizada Mirim (TOM) foi fundada há dois anos. Embora reúna as crianças em torno do Marcílio Dias, não tem caráter de torcida oficial. Segundo a Federação Catarinense de Futebol (FCF), somente torcedores com mais de 18 anos podem ser cadastrados. |
| Para fazer parte da TOM, procure a turminha nos jogos ou entre em contato com o Eweraldo, pai do João Vítor, no telefone (47) 8415-5407 |
Fonte: clicRBS Itajaí

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