Dagmara Spautz, Jornal de Santa Catarina
Um a um, os veleiros que disputam a Volvo Ocean Race, e que aportaram em Itajaí nas últimas semanas, deixaram neste domingo o píer da Vila da Regata. A saída foi acompanhada por milhares de espectadores, que aguardavam desde o início da manhã para se despedir dos barcos. Para os velejadores, a partida em direção a Miami (EUA) representa o início de mais uma aventura. Na terra, o adeus aos veleiros marcou o fim da festa.
– Vamos sentir saudade da Volvo Ocean Race. Seria muito bom se o evento voltasse para Itajaí – disse Rosemari Waldhelm, que visitou quatro vezes a Vila da Regata e fez questão de comparecer ao adeus às velas.
O clima de saudade antecipada, que tomou conta dos espectadores, também parece ter contaminado a tripulação. Joca Signorini, único velejador brasileiro a disputar a Volvo Ocean Race, pela equipe Telefónica, disse que, caso se consolide como sede brasileira da Regata Volta ao Mundo, a cidade tem tudo para se tornar a parada mais esperada.
– Fomos recebidos com muito carinho e como heróis. Itajaí está de parabéns e essa parada já deixa saudade – explica Joca.
Antes de ganhar o mar, todos os tripulantes desfilaram pelo píer em direção aos barcos. Em agradecimento pela recepção recebida, os velejadores da neozelandesa Camper – quarta equipe a chegar à cidade – carregaram bandeiras do Brasil.
– Espero voltar a Itajaí com a Volvo Ocean Race – disse o australiano Chris Nicholson, comandante do Camper.
A festa de despedida teve um ingrediente bem brasileiro. A batida do grupo Olodum embalou o público e deu o tom para os preparativos das equipes, antes da saída dos barcos.
Mas o domingo, que havia amanhecido ensolarado, teve o céu tomado por nuvens cinzentas conforme se aproximava o momento do adeus. Com cara de chuva, elas trouxeram o vento, que deu velocidade aos barcos e impulsionou os velejadores para a próxima etapa: uma emoção a mais para quem escolheu os molhes e as praias de Atalaia, Cabeçudas e Navegantes para assistir ao espetáculo proporcionado pelos veleiros. Também para as embarcações que se aglomeraram no mar na área ao redor da prova.
Às 14h, os veleiros Telefónica, Puma, Camper, Groupama e Abu Dhabi emparelharam e foi dada largada. Antes de seguirem para o Norte, os velejadores precisaram vencer um circuito triangular, entre boias. Telefónica liderou boa parte da prova, até ser ultrapassado pelo veleiro Puma, após a terceira boia.
O barco da equipe norte-americana, primeiro a chegar a Itajaí, no dia 6 de abril, foi também o que largou em primeiro na jornada de cerca de 9 mil quilômetros rumo à costa dos Estados Unidos. Na terra, sobraram as lembranças da passagem da Regata pela cidade e a visão das velas mais potentes do planeta desaparecendo no horizonte.
O Comitê de Itajaí já manifestou a intenção de sediar a próxima edição, programada para 2014/2015.

Velejadores esperam calor e menos velocidade até Miami
Para quem cruzou o Cabo Horn, considerado um dos locais mais difíceis para navegação em todo o mundo, o trecho entre Itajaí e Miami (EUA) é quase um passeio.
A expectativa é de velocidade moderada e clima quente, bem diferente das temperaturas negativas enfrentadas pelos velejadores na quinta perna da Regata Volta ao Mundo. Mesmo assim, o trecho promete ser de muito trabalho para as equipes.
– Não podemos ter um trecho pior do que a última perna. Teremos condições melhores, mas é sempre uma disputa intensa, 24 horas. Sempre será difícil – avalia Ken Read, comandante do barco Puma.
Ao menos as avarias nos veleiros – que atingiram quatro dos cinco barcos que participaram da perna entre Auckland, na Nova Zelândia, e Itajaí – não devem ser problema desta vez. Apesar da possibilidade de tempestades tropicais, o trajeto até os Estados Unidos promete ser de calmaria:
– Esperamos uma boa perna. Teremos condições muito diferentes da última, e estamos com o barco 100% novamente – disse Ian Walker, comandante do barco Abu Dhabi, que teve sérios problemas no casco e precisou ser trazido a Itajaí a bordo de um cargueiro, o que rendeu à equipe uma etapa sem pontos.
A expectativa é que as equipes comecem a chegar a Miami em duas semanas. De lá, atravessarão o Oceano Atlântico e seguirão para Lisboa, em Portugal, no dia 20 de maio.
Em junho, os barcos partem para Lorient, na França, e a chegada está prevista para julho, em Galway, na Irlanda.
Quando a Volvo Ocean Race terminar, os veleiros terão navegado 39 mil milhas náuticas, o que equivale a 72 mil quilômetros.
>>> O TRECHO ITAJAÍ-MIAMI| CLASSIFICAÇÃO GERAL |
| Veleiro - Pontos |
| 1º Telefónica - 149 |
| 2º Groupama - 133 |
| 3º Camper - 124 |
| 4º Puma - 117 |
| 5º Abu Dhabi - 58 |
| 6º Sanya - 25 |
| Fonte: A equipe Sanya não participou da etapa de Itajaí |
Fonte: clicRBS Itajaí
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